Media social, rede social, comunidades virtuais e nossa identidade
Existem alguns conceitos que se imbricam quando estamos falando sobre networking entre indivíduos cujo trabalho envolve a internet: rede social, comunidade virtual e midia social. Eles estão relacionados, mas não se equivalem.
“Rede social” se refere a um modelo de análise sociológica, cada vez mais apreciado e útil na pesquisa social. As redes são estruturas sociais analisadas do ponto de vista dos indivíduos (atores) que a constituem e das relações através das quais eles o fazem. Os pontos de análise, portanto, são os nódulos (os indivíduos) e ligações entre os atores. Esta abordagem permite sofisticadas modelagens quantitativas, onde se pode medir a densidade de ligações na rede, a centralidade dos nódulos e até mesmo medir capital social.
Capital social é o valor associado aos contatos, ou ligações entre os atores. Este conceito é a força motriz por trás de iniciativas comerciais em estimular as interações em redes sociais pré-existentes bem como o seu crescimento ou até mesmo gênese.
As redes sociais não são necessariamente digitais. O conceito independe da maneira como as relações entre os atores são estabelecidas e mantidas. No entanto, pela ênfase nas relações não locais e no aspecto difuso da estrutura resultante, naturalmente esta abordagem ganhou proeminência com a crescente utilização da internet em todos os tipos de relações sociais (de compra e venda, governamentais – entre indivíduos e o governo -, de amizade, profissionais, de divulgação de notícias, de partilha de dados e informação, de ativismo social, de amizade, de romance e outras).
As redes sociais que se formam e se mantém na internet constituem comunidades virtuais. Estas comunidades podem ser de diversos tipos, como as não-digitais. No entanto, estas comunidades tendem a ter uma dinâmica muito mais próxima do modelo de redes não locais. Enquanto estas sempre existiram, antes das modernas tecnologias de comunicação e informação, os elementos locais necessariamente predominavam e determinavam a tônica dos aspectos substantivos das relações sociais, como centralidade, poder, influência, agendas, etc. Com as comunidades virtuais, a localidade de grupos de atores influi bem menos.
O crescimento imprevisto, há décadas, das comunidades virtuais e da comunicação digital fez com que a mídia industrial perdesse o monopólio sobre a difusão e partilha de informação: apareceram as midias sociais. As midias sociais são sistemas de compartilhamento de dados, informação e produção intelectual de maneira geral onde todos os contribuintes têm a chance de produzir informação, bem como de ter acesso a ela. Estas midias revolucionaram os sistemas tradicionais de autoria e mesmo de produção de conhecimento.
Dentro desta perspectiva de uma produção cada vez mais horizontal de informação e dados, Pierre Levi introduziu o conceito de inteligência coletiva, que é a emergência de formas mais complexas de organização, bem como de inovação e saber na rede e em função de sua estrutura e relações.
Todos estes conceitos iluminam fenômenos diretamente implicados no nosso dia-a-dia, especialmente no dia-a-dia de pessoas, como nós, cuja principal atividade profissional é gerar informação digital. Em certo sentido, nós somos a informação digital que nós mesmos produzimos, incluindo aí nossa identidade.
Se nossa identidade é socialmente contruida em relações sociais predominantemente virtuais, a importância de planejar corretamente e controlar nosso lugar nos “espaços virtuais” por onde andamos ou deixamos de andar pode fazer toda a diferença entre sermos ou não VIÁVEIS socialmente.
More later!
Marília
Os links deste texto:a
http://en.wikipedia.org/wiki/Social_media
http://en.wikipedia.org/wiki/Social_network
http://en.wikipedia.org/wiki/Virtual_community
http://www.community-intelligence.com/blogs/public/archives/000288.html
